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do blog do projeto Estrombo (CTS/FGV, Sebrae, BID e Facebook)
Dentre as mudanças que acontecem na
cadeia produtiva da música em decorrência de avanços tecnológicos, uma
consiste nas novas maneiras de licenciar os usos da produção. Através de
licenças públicas como a Creative Commons, por exemplo, o artista pode estipular e comunicar previamente os usos permitidos à coletividade, de acordo com sua vontade.
Flexibilidades como esta mostram-se
bem-vindas quando consideramos os novos canais de distribuição baseados
na internet. Se um dos problemas apontados pela indústria fonográfica é o
tráfego irrestrito e fora de controle de músicas protegidas por
direitos autorais, com licenças como a Creative Commons, os artistas
podem liberar determinados usos e dispor suas condições para outros usos
de suas músicas (como o uso para fins comerciais, por exemplo), se
beneficiando do tráfego de bens culturais digitais na rede. Hoje, são
milhões os livros, imagens e obras musicais que circulam livremente pela
internet através dessas licenças. Um desses trabalhos é o álbum Metá-Metá, de Juçara Marçal, Thiago França e Kiko Dinucci, que vem ganhando resenhas bastante positivas ao longo do ano. Confira a entrevista abaixo com Kiko Dinucci.
Por que optar pela licença Creative Commons?
Optei pela CC por ser uma alternativa a
mais, é lógico que não sou fã de ter que haver um modelo internacional
pra liberar a minha obra para ser ouvida por qualquer um, mas é a melhor
opção em contrapartida dos gastos dos modelos antigos de direitos
autorais. Foi importante botar o selo no site, deixou as pessoas à
vontade para baixar e compartilhar, para os blogs espalharem a minha
arte. Minha arte foi nitidamente espalhada, meu público aumentou com
isso. Fiz um show em Brasília na semana passada e a maioria do público
cantava as músicas, vendi CD depois do show muito mais do que venderia
em lojas, pra mim está tudo certo. A música grátis é o meu veículo, é
minha rádio. Atiro minha garrafinha no mar e alguém sempre acha e lê o
recado que eu deixei lá dentro.
Foi também por esse motivo, aumentar a circulação da música, que o Metá-Metá se associou ao aplicativo Bagagem?
O que mais me chamou a atenção no
Bagagem era a opção de um novo formato digital, que de certa maneira
recuperava as estética visual das capas dos discos e encartes. Quando o
CD ganhou popularidade, era horrível ver capas como a “Sargent Pepper’s”
apenas diminuídas, o CD demorou pra desenvolver a sua linguagem visual.
A música digital também passa por essa crise. Achei sedutor de ter
coisas visuais em volta da música, não como clipe e sim como continuação
do disco. Os nossos amigos do Axial
já estavam lá e ficamos fascinados com tudo e resolvemos aderir ao
Bagagem. O aplicativo ajudou muito na divulgação do trabalho também,
porque não era somente um disco MP3 pra baixar, tinha todo um universo
lá dentro, outros grupos e tal.
Você acredita que esses novos canais
de circulação e formas de licenciamento livre estão renovando a maneira
de fazer negócio com música?
Tenho certeza disso, pelo menos pra mim,
um artista independente, que estou acostumado a fazer por mim mesmo,
sem atravessadores. Mas acredito que tudo está se renovando no mercado.
As coisas “no mundo” estão mudando, muda quem quer. Na Europa, por
exemplo, eles não estão acostumados em disponibilizar cultura na rede,
gratuita, eles pagam para consumir cultura. A cultura livre aqui no
Brasil não é 100% livre também, mesmo eu licenciando minha obra dessa
maneira, você terá que pagar a rede, o provedor etc. O fato de minha
obra circular livremente na rede foi o que me tirou do anonimato, tenho
certeza disso. Se o único modelo fosse o dos anos 90 pra trás eu não
teria gravado nenhum disco ainda. Pra mim, o licenciamento livre
significa a minha única alternativa de sobrevivência, claro que gostaria
de ganhar por downloads, ter cachês maiores, mas no meio de tanta crise
e transformações econômicas eu estou conseguindo sobreviver. Não sei
até quando, mas o movimento a favor da minha arte é crescente, lento,
mas crescente.
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Como mencionado pelo músico, o
aplicativo Bagagem, concebido por Felipe Julian do Projeto Axial,
atualiza os aspectos visuais dos formatos musicais físicos para as redes
digitais. A obra do Axial também é distribuída sob licença Creative
Commons e, na semana passada, o mais recente álbum da banda ganhou
também uma versão física: o livro-cd Simbiose. Felipe explica o novo
lançamento como “uma certa necessidade de retorno aos objetos, como
compensação à virtualização das coisas”: “O objetivo foi criar uma
experiência sensorial, onde os dois produtos são independentes, mas
também complementares”, contextualiza o músico. E completa ao afirmar
que o CD deve ser também uma experiência artística e não um objeto
descartável. Por enquanto, o livro-cd Simbiose é vendido somente pela
recém-inaugurada loja online do Projeto Axial.
Entre nessa discussão. Baixe o Bagagem e conheça mais sobre as licenças Creative Commons.
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